Os recursos contratados pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), realizados até novembro deste ano pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB), no Ceará somaram R$ 4,2 bilhões. Os valores representam um aumento de 32% em relação ao mesmo período do ano passado e já superam todo o valor contratado em 2021.
Focado em promover políticas públicas efetivas para a Região Nordeste, o fundo é um instrumento que contribui para o financiamento da indústria, serviço e infraestrutura. Também foca em financiar micro e pequenas empresas advindas do setor rural, explica o economista-chefe da instituição, Luiz Alberto Esteves, ao OPINIÃO CE.
O FNE, na avaliação do especialista, é um instrumento que veio da Constituição de 1988 e que trouxe diversas possibilidades de políticas públicas para lidar com as desigualdades regionais de forma efetiva. É, sobretudo, um instrumento importante de política regional, defende.
Em condições normais, acredita o gestor, o mercado de crédito não aloca recursos em regiões mais pobres, por exemplo. “O setor privado não costuma atender essas regiões. A própria criação do BNB foi para lidar com o chamado racionamento de crédito. Se você deixar o mercado de crédito operar livremente, ele vai alocar recursos em lugares mais ricos. O FNE veio mitigar esse problema.”
FINANCIAMENTO
Além de financiar indústria, serviço e infraestrutura, o fundo fomenta o meio rural, principalmente os pequenos agricultores. O segmento, de acordo com o economista, é aportado, principalmente, no semiárido, onde dificilmente o mercado privado não olharia para esses dois nichos sendo prioridade para o FNE.
O destaque das operações ficou com o setor de infraestrutura. Foram contratados R$ 1,6 bilhão no período, o que corresponde a 38% de tudo que financiado pelo banco em 2022, no Estado, com o FNE.
Somente até novembro, essas operações superaram em 17% os financiamentos com essa fonte para infraestrutura em todo o ano passado. “Infraestrutura é importantíssimo. Você tem, historicamente, uma região Nordeste que conviveu com a discussão dos recursos escassos que era, basicamente, a água. Quase toda política pública era voltada para isso. Agora, os investimentos são para geração de valor. São, por exemplo, para energias renováveis já consolidadas e está vindo aí o hidrogênio verde.”
Na avaliação do economista e professor Wandemberg Almeida, há um desenvolvimento econômico e social por meio desses recursos do fundo, principalmente quando se é aplicado de maneira correta, fazendo com que projetos duradouros comecem a gerar mais emprego e renda. Com isso, a Região Nordeste ganha mais desenvolvimento e reduzindo as desigualdades.
“É importante destacar que o BNB está no Nordeste e conhece a necessidade e os setores que mais impactam de forma relevante a vida dos nordestinos. Não é à toa que o banco tem agências específicas em lugares estratégicos espalhados pela região para poder captar cada vez mais a demanda dos empresários nordestinos”, avalia Wandemberg.
BILHÕES NO CEARÁ
As contratações realizadas pelo BNB, no Ceará, nos 11 primeiros meses do ano, considerando todas as fontes de recursos, ultrapassaram R$ 7,2 bilhões totais. Além dos 4,2 bilhões do FNE, o banco liberou outros R$ 3 bilhões oriundos de recursos próprios e outras fontes.
Os segmentos de comércio e serviços foram os que mais cresceram em volume contratado, com alta de 46%, se comparados os dois períodos. Ao todo, as operações dessas áreas somaram R$ 1,2 bilhão.
Outra atividade com bastante crescimento de um ano para o outro é a pecuária. De janeiro a novembro, foram contratados cerca de R$ 620 milhões, 24% a mais que todo o ano de 2021.
