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Uma aula sobre a cultura como ela é e tem que ser

Referências para a cultura nacional, Rolinha, curador e produtor, e Gaby Morenah, coordenadora de projetos do Circo Voador, do Rio de Janeiro, estão em Fortaleza para participar de um evento da Rede Cuca. Ao OPINIÃO CE, ambos falam sobre os movimentos culturais do país atualmente e a expansão da cultura na Capital.

Rolinha, que já veio a Fortaleza duas vezes, para shows no Dragão do Mar, fala que o trabalho de acompanhar ao vivo as apresentações de artistas locais é muito importante, já que as obras de pessoas fora do Rio de Janeiro, estado no qual o Circo Voador fica localizado, “são muitas vezes filtradas pela visão de quem vê o movimento cultural de locais como Fortaleza, de fora.”

“Existem muitas bandas, como Mateus Fazeno Rock, Casa de Velho e Arquelano que têm uma cara muito local, e a gente só conhece grupos assim quando vemos de perto, sem o filtro muitas vezes da imprensa.” O produtor explica que o trabalho desenvolvido pelo Circo Voador em eventos como esse promove um intercâmbio cultural maior entre o que é popular nacionalmente e a cultura local, com artistas relevantes para a cena de outros estados que não sejam o Rio de Janeiro.

“Não adianta somente ter investimento em ações culturais. Você precisa ter a visão de fazer essa mescla entre regiões, ou acaba sendo um investimento pela metade. Vale muito a pena estar junto para trazer ao Rio de Janeiro o que tem de melhor em todo o país.” Em Fortaleza, Rolinha aponta que o movimento cultural está cada vez mais abrangente, que forma uma identidade própria das expressões artísticas da Cidade, diferenciando-a de outros locais do Brasil.

“A gente vê algo único em Fortaleza. Existem bandas que têm muito a cara daqui, de uma cultura que parece ter uma unidade. A distância física da capital cearense para o Eixo [Sul e Sudeste] não diminui o tamanho da importância da cultura local dentro da cena nacional, já que, onde quer que eu esteja, eu consigo perceber que uma música feita aqui, vem realmente daqui.”

Gaby, coordenadora de projetos do Circo Voador, fala também sobre a importância do surgimento de movimentos artísticos em todo o país, não somente na concentração nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. “Depois que saímos da Ditadura Militar, tivemos movimentos de esquerda que foram muito importantes para a preservação da cultura e para o fomento da mesma.” A gestora entende que hoje, após o crescimento de um movimento da extrema direita no país, as expressões artísticas sofreram muita repressão tanto do governo quanto da sociedade. “De modo geral, estamos retomando esses movimentos no Brasil, que politicamente falando, são muito importantes. A cultura hoje em dia é a voz do país. É por meio dela que denunciamos tudo de errado que acontece aqui, seja ambientalmente, quanto socialmente ou politicamente”, explica.

O Circo Voador surgiu em 1982 na Praia do Arpoador, no Rio de Janeiro, fundado por um coletivo de artistas, produtores e poetas que estavam carentes de cultura por conta do período pós-ditadura. “O Circo foi ganhando uma importância muito grande no cenário musical do Brasil, porque a música foi uma das expressões que a Ditadura mais tentou calar no país”, afirma Gaby.

REVITALIZOU A LAPA
O coletivo revitalizou o bairro da Lapa após ter sido proibido de funcionar no Arpoador, ainda em 1982. O espaço passou a ser uma referência de democracia e diversidade cultural. Sua história está ligada à renovação da música brasileira nas últimas quatro décadas, já que serviu de palco para para futuros grandes artistas, como Barão Vermelho, Legião Urbana, Blitz, Os Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Lobão, Débora Colker, Engenheiros do Hawaii, Intrépida Trupe, e outros.

“O Circo sempre foi um lugar muito posicionado politicamente. Sempre foi um espaço antiracista, lutou pela preservação ambiental e privilegiou grupos sociais esquecidos pelo governo e pelo restante da sociedade. Ele conquistou a sua posição não somente por conta da cultura, mas também pelas suas lutas”, finalizou a coordenadora.

Nesta quinta, 1º, Gaby e Rolinha ministram atividades de formação na 5° edição do Festival de Música da Juventude, promovido pela Rede Cuca. A oficina será às 18h, no Cuca Barra. São 30 vagas gratuitas abertas ao público, por ordem de chegada.

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