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Pelo menos 80% dos atendimentos em UPAs no mês passado foram de suspeitas de covid

Foto: Beatriz Boblitz

De acordo com dados da plataforma IntegraSUS, da Secretaria de Saúde (Sesa) do Ceará, Fortaleza teve uma média diária de 443 atendimentos de pessoas com sintomas gripais nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) municipais e estaduais em novembro último. Desses atendimentos, 81,28% foram de suspeita de covid-19, com 30% confirmados. Em outubro, a média diária foi de 191 atendimentos, e 67,17% dos casos foram atendidos como decorrentes do coronavírus.

Segundo informações também da plataforma, as UPAs localizadas na Capital totalizaram, até a última terça-feira (29), 12.405 atendimentos médicos por conta de sintomas ligados ao sistema respiratório. Em comparação com o mês passado, essa quantidade é mais de duas vezes maior do que o registrado em outubro, quando o IntegraSUS notificou 5.921 atendimentos entre os dias 1 e 31 nas unidades Autran Nunes, Bom Jardim, Canindezinho, Conjunto Ceará, Cristo Redentor, Edson Queiroz, Itaperi, Jangurussu, José Walter, Messejana, Praia do Futuro e Vila Velha.

Outros municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), como Caucaia (1.422) e Maracanaú (1.238), também tiveram aumento na quantidade de casos notificados de pessoas com sintomas gripais. A positividade, em novembro, foi de 53,3% (661 casos) em Maracanaú e 47,1% (692 casos) em Caucaia. No mês de outubro, em Caucaia, foram anotados 200 casos, pouco mais de sete vezes menos do que em novembro.

Desses, 151 foram descartados e nove foram confirmados como covid. Em Maracanaú, no mês passado, somente 175 casos foram notificados, dos quais sete foram confirmados e 116 foram descartados. Camila Machado, diretora geral das UPAs geridas pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), explica que foi notado um aumento do número de casos de pessoas com sintomas gripais entre os meses de outubro e dezembro. Segundo ela, mesmo antes do surgimento da covid, o período a partir do terceiro trimestre é conhecido por ter grande incidência de doenças respiratórias por conta das mudanças climáticas.

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Ainda assim, a diretora explica que há uma incidência grande de casos que são diagnosticados como decorrentes do coronavírus. “Todos os pacientes que chegam com sinais gripais fazem o fluxo e são testados. Desses que foram testados, o número de positividade foi de 30%”, afirma.

O período indicado pela diretora das UPAs é conhecido como chuvas da pré-estação, que ocorrem no final de outubro e no mês de novembro por conta da aproximação de frentes frias ao Ceará, informa Vinicius Japa, meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) ao OPINIÃO CE. “Essas frentes são conhecidas como sistemas frontais, que se aproximam no nordeste da Bahia, podendo chegar a Sergipe e Alagoas. Essa aproximação acaba instabilizando o ar atmosférico do Ceará, ocasionando chuvas principalmente no centro-sul do Estado, que abrange a faixa litorânea, pegando Fortaleza e a macro região do litoral da Cidade.”

Além disso, o meteorologista explica que outros fatores influenciam nas chuvas repentinas que acontecem no final do ano no Ceará. “Nós temos vórtices de ciclones de altos níveis que costumam ocorrer na pré-estação, principalmente a partir de dezembro. As Zonas de Convergência do Atlântico Sul também ocorrem no fim do ano e acarretam em áreas de instabilidade e chuvas no centro-sul do território cearense”, conclui Japa.

Lauro Perdigão, infectologista do Hospital São José (HSJ), fala à reportagem que é normal que em períodos chuvosos aconteça o aumento de casos de pessoas com infecções respiratórias independente da covid. “Usualmente, a mudança de clima aumenta a chance de infecções respiratórias, as pessoas ficam mais aglomeradas. Contudo, isso é mais comum no começo do ano, a partir de janeiro.”

Para o infectologista, neste momento, o que está acontecendo é o aumento de casos de covid-19 tanto em Fortaleza, quanto em todo Ceará, mas não é possível definir, ainda, o papel das novas variantes nesses números.

“Isso acontece por conta do padrão que o vírus está imprimindo diante dos riscos da população. Existe sim o risco de novas variantes serem introduzidas e isso ter uma repercussão no número de casos. Mas é importante lembrar que essas variantes são consequências da circulação do vírus, então a recomendação ainda é usar máscara e buscar o isolamento caso o teste seja positivo”, explica Lauro.

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