Nas vendas na Black Friday deste ano, na sexta-feira, 25, o comércio brasileiro movimentou cerca de R$ 3,1 bilhões em transações (queda de 23,7% em relação ao passado). Fortaleza, porém, teve um aumento de 8 a 12% nas vendas no período em relação a 2021. A estimativa é da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), baseada na Pesquisa sobre o Potencial de Consumo do Fortalezense para Black Friday 2022, que previu um consumo de pelo menos R$ 315 milhões.
Esta é a primeira pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio), por meio do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), sobre a data. Em Fortaleza, para além de televisão, smartphone e notebook, o consumo de bebidas também registrou aumento, puxando o saldo positivo para a Capital.
É que avalia o professor da Faculdade CDL, especialista em varejo e consumo, Christian Avesque. “Aqui em Fortaleza, esse crescimento em relação à média nacional tem a ver com uma forte procura – para além de TV, smartphone e notebooks – por vestuário, utilidade doméstica e, sobretudo, para comprar bebidas e bens para festas de fim de ano. Muitas famílias estão fazendo estoque para Natal e Ano Novo na própria Black Friday.
Nos supermercados, por exemplo, o carro-chefe têm sido ultimamente às bebidas alcoólicas para serem consumidas nas festas do final do ano.” Segundo o docente, especificamente em Fortaleza, há uma prévia de faturamento entre R$ 315 e R$ 350 milhões, incluindo o varejo local, como era esperado. “Ainda não temos os dados oficiais, mas, de acordo com os primeiros levantamentos feitos, principalmente, por operadoras de cartão de crédito, o faturamento corresponde a um aumento médio de até 12% em relação ao ano passado, superando a média nacional.”
Quanto aos canais de venda, ainda de acordo com a avaliação do especialista, cerca de 71% dos consumidores ficaram no “nem nem.” Nem somente físico, nem somente digital. Ou compraram no ambiente virtual para retirar na loja física, ou compraram na loja física para receber em casa. Para o âmbito nacional, o professor elencou os fatores que levaram à queda em relação à Fortaleza: inflação, superendividamento dos consumidores e o acesso ao crédito que ficou mais difícil junto ao aumento do preço dos produtos, especialmente eletrodomésticos.
PRÓXIMOS MESES
O vice-presidente da Fecomércio, Cid Alves, ao OPINIÃO CE, acrescenta que o motivo da queda de vendas em relação ao ano passado no Brasil envolve também o período de lockdown devido à pandemia. “As vendas, de um modo geral, não foram como no ano passado. Em 2021, tivemos o período de lockdown e, depois que abriu-se o comércio, uma enxurrada de pessoas após as lojas abrirem. Tivemos um bom número de vendas. Outro fator é a taxa de juros deste ano que tem sido uma inibidora.”
Em contrapartida, o vice-presidente afirmou que haverá estabilização nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro de 2023. “Isso é muito positivo uma vez que os dois primeiros meses de cada ano é de queda nas vendas”, completa.
POTENCIAL DE CONSUMO
A pesquisa da Fecomércio mostrou a preferência do consumidor pela chamada linha branca e bens de consumo semiduráveis, com domínio de seis segmentos: Eletrodomésticos e linha branca, com 35,4% de intenção de consumo; Roupas e artigos de vestuário, com 28,5%; Eletrônicos e eletroportáteis, com 20,9%; Celulares e smartphones, com 14,8%; e Artigos para o lar (cama, mesa e banho e decoração), com 12,3%.
Ainda de acordo com o levantamento, as lojas físicas foram citadas por 77,9% dos entrevistados com relação ao local das compras. O perfil desse consumidor mostrou preponderância do grupo do sexo feminino (79,0%), com idade acima dos 36 anos (83,3%) e renda familiar mensal de até cinco salários mínimos (78,1%).
O e-commerce foi utilizado por 28,7% dos consumidores, principalmente do sexo masculino (28,8%), do estrato com idade até 20 anos (32,5%) e renda familiar mensal de mais de dez salários mínimos (61,1%).
