Tenho muitas recordações de Copas do Mundo. Família e amigos reunidos em torno da tela da TV. Na minha infância, não existiam telas grandes como hoje. Eram aquelas televisões de tubo, que saíam da sala e iam para a varanda, para o alpendre – lugares mais espaçosos para reunir os convidados. A antena precisava ser ajustada para captar a melhor imagem. A tecnologia de ponta ainda não era realidade. Todas aquelas pessoas vestidas de verde e amarelo, com os olhos vidrados na tela à espera do gol. Lembro também do velho radinho de pilha cravado no ouvido dos mais velhos… Eles nunca largam a tradição.
A cidade parava. O comércio fechava as portas e os serviços essenciais pareciam não ter demandas durante quase 2 horas. O sertanejo encostava a enxada, e as donas de casa se permitiam uma pausa no meio dos afazeres de rotina.
Hoje, há mudanças no cenário… As estruturas para assistir aos jogos são imensas. Telões gigantes, shows musicais, pacotes gastronômicos… Ainda assim, se pararmos para observar cuidadosamente, a essência é a mesma de tempos passados, ou seja, brasileiros de olho na tela, vestidos com as cores da Nação, torcendo, sofrendo, chorando, sorrindo… Uma mistura de sentimentos e sensações que só a paixão pelo futebol consegue explicar.
Independente do cenário e do que tenha em volta dele, a Copa do Mundo vira unanimidade pela união. Todos juntos na mesma frequência, do mesmo lado, com o mesmo objetivo. De crianças aos idosos. Nem precisa entender tecnicamente o esporte. A Copa é a espera pelo gol, e, quando ele vem, é festa de norte a sul do país.
