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Líder de grupo que matou mulheres no Cariri é condenado por mais duas mortes

Foto: Antonio Rodrigues

Antonio Rodrigues
CORRESPONDENTE NO INTERIOR
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Há cerca de 20 anos, uma série de assassinatos de mulheres chocou o Cariri. Os crimes ocorreram em diferentes cidades. No entanto, a Polícia Civil do Ceará (PCCE) descobriu que todas as mortes estavam ligadas ao grupo que ficou conhecido como “Escritório do Crime.”

Seu líder, o ex-bancário e comerciante de carros Sérgio Brasil Rolim, foi condenado, nesta sexta-feira, 25, a 32 anos e 10 meses de prisão por matar Aparecida Pereira da Silva e Vaneska Maria da Silva — as duas últimas vítimas cujos casos restavam ser julgados.

O julgamento de Rolim aconteceu, não por acaso, em 25 de novembro, data que marca o Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher. Sua condenação se somou a de outras cinco mortes e dois casos de estupro que juntos acumulam mais de 118 anos de prisão.

“Se tornou muito simbólico. Hoje, estaríamos em algum ato, manifestação, em algum momento de visibilidade, mas decidimos acompanhar o julgamento e somar ao pedido de justiça”, reforça a professora Verônica Isidorio, integrante da Frente de Mulheres do Cariri, grupo da sociedade civil que luta contra o fim da violência de gênero.

ENTRE MAIO DE 2001 E MAIO DE 2002
Entre maio de 2001 e março de 2002, sete mulheres foram assassinadas nos municípios de Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Missão Velha, Brejo Santo e Araripe. Na época, as investigações da Polícia Civil apontaram que todas as vítimas foram violentadas antes de serem mortas.

Alguns destes crimes seriam “queima de arquivo”, já que algumas delas sabiam da existência do “Escritório do Crime”, grupo que praticava assaltos, homicídios, desmanche de carros e roubos de cargas. O caso ganhou repercussão pela forma chocante com que as mortes aconteceram.

O laudo cadavérico de uma das vítimas, por exemplo, concluiu que uma das mulheres foi queimada ainda com vida. Os corpos de Maria Aparecida e Vaneska, por exemplo, foram encontrados na zona rural com sinais de violência sexual.

“É um momento forte para as famílias das vítimas e as mulheres que acompanharam esse momento há 20 anos. É como se revivesse esse momento de terror que foram os assassinatos”, completa a ativista. Marcado pelos maiores índices de violência contra a mulher no Ceará, o Cariri segue, em 2022, com números negativos.

Segundo os dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a região soma o maior número de casos de violência registrados na Lei Maria da Penha. Área composta por 25 municípios do Sul do Estado teve 2.394 casos, até outubro deste ano, o dobro da região Norte, a segunda com mais registros, que chega a 1.193 ocorrências.

Por outro lado, o número de feminicídios no Cariri registrou uma queda, em 2021. Em 2020, foram oito mortes de mulheres – no ano passado caiu para quatro. Até outubro deste ano, são dois casos na AIS-19. “O movimento de mulheres clama pelo fim violência e pelo fim da impunidade”, afirma a professora Mara Guedes, vice-presidente do Conselho de Defesa da Mulher Cratense.

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