Com 464,89 km² de área urbanizada, Fortaleza é considerada a segunda maior cidade do Nordeste com área densa (ocupação urbana contínua), segundo a publicação divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) a partir do estudo de Áreas Urbanizadas do Brasil 2019, feito frente à interpretação visual de imagens de satélite. O mapeamento torna possível retratar e mensurar a distribuição e a extensão das manchas urbanas do país, bem como avaliar sua expansão.
Ainda segundo o estudo, a Capital possui apenas 8,80 km² de loteamentos vazios. A área total mapeada é de 495,11 km². O estudo também revela proporção maior do que 70% de áreas densas na Concentração Urbana litorânea de Fortaleza. No âmbito estadual, o Ceará apresenta a maior proporção de loteamentos vazios no total das áreas mapeadas no seu território (11,70%).
A Média Concentração Urbana de Juazeiro do Norte, por exemplo, sobressaiu na análise de loteamentos vazios no Brasil, como a maior encontrada. Sobre os efeitos sociais e econômicos dos números das áreas urbanizadas e lotes vazios no Ceará e em Fortaleza, o IBGE não respondeu à reportagem até o fechamento desta edição.
No ranking por região, Recife lidera com 473,91 km² de área urbanizada, ficando com apenas 3,67 km² de loteamentos vazios. Salvador está em terceiro lugar, com 410,67 km² de área densa, ainda segundo o estudo. Da área total mapeada (48.052 km²) no país, 76,5% foram consideradas urbanizadas densas (manchas de ocupação urbana contínuas que apresentam maior proximidade entre as edificações, com poucos espaços vazios e grande capilaridade de vias); 19,1% pouco densas (edificações espaçadas entre si, típicas das áreas em processo de ocupação de periferias de cidades ou localidades afastadas dos centros urbanos); e 4,4% foram classificadas como loteamentos vazios.
Os loteamentos vazios possuem distribuições mais variáveis. Contudo, na análise por Grandes Regiões, é possível notar o destaque da região Nordeste, com 826,19 km² de áreas de loteamentos vazios, ultrapassando em mais de 100 km² a segunda colocada, a região Sudeste, com 646,18 km² de áreas assim classificadas. Os destaques são os estados do Ceará (11,70%), Pernambuco (8,74%) e Piauí (8,49%), apresentando as maiores proporções de loteamentos vazios no total de áreas mapeadas.
EXPANSÃO NO BRASIL
Onde há mais áreas densas, também de acordo com o IBGE, tende-se a haver mais áreas pouco densas, pois são fenômenos associados do processo de expansão urbana.
A maioria das unidades federativas segue um padrão de distribuição média entre 70% e 80% de áreas densas e 20% e 30% de áreas pouco densas, excetuando-se, por um lado, Piauí, Amazonas, Pará, Acre e Roraima, os quais possuem mais de 30% de suas áreas urbanizadas classificadas como pouco densas, e, por outro lado, Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Distrito Federal com mais de 85% de suas áreas urbanizadas classificadas como densas.
No caso do DF, essa proporção alcança 94,59%. Entre as grandes concentrações urbanas, aquelas com população acima de 300 mil habitantes, que comportam as maiores áreas urbanizadas do Brasil, os destaques estão nas regiões das capitais estaduais, mas com algumas exceções, sobretudo no estado de São Paulo, como a concentração urbana de Campinas (SP) que, com 492,49 km² de áreas urbanizadas, está entre as 10 maiores do Brasil. Concentrações urbanas são arranjos populacionais ou municípios isolados com população acima de 100 mil habitantes que apresentam alto grau de integração interna e processos de conturbação marcantes, entre outras características.
Apenas as concentrações urbanas de São Paulo (SP), composta por 37 municípios, e Rio de Janeiro (RJ), formada por 21 municípios, possuem extensões maiores do que mil km² de áreas urbanizadas, a primeira com 2.133,81 km² e a segunda com 1.693,80 km².
