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Causa da beatificação de Padre Cícero será aberta no próximo dia 30, em Crato

Capela do Socorro, em Juazeiro do Norte. Foto: Antonio Rodrigues/Arquivo

Antonio Rodrigues
CORRESPONDENTE NO INTERIOR DO ESTADO
antonio.rodrigues@opiniaoce.com.br

A Basílica de Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte, anunciou que a abertura da causa de beatificação e canonização do Padre Cícero terá início no próximo dia 30, em cerimônia realizada pelo bispo da Diocese de Crato, Dom Magnus Henrique Lopes. Apesar de muito comemorado pelos romeiros, o processo para que o sacerdote seja reconhecido como “beato” pela Igreja Católica é longo e deve demorar mais que o da Mártir Benigna Cardoso, a primeira beata cearense, que foi aprovado sete anos depois de sua abertura do seu processo.

Após conseguir a tão sonhada autorização do Vaticano para a abertura da causa de beatificação, no último dia 20 de agosto, o agora “servo de Deus”, Padre Cícero, iniciará um longo percurso para que um dia chegue aos altares das igrejas como santo — como já é reconhecido pelos milhares de romeiros. No caso dele, o trabalho para que isso aconteça teve início há pouco mais de 20 anos, quando a Diocese de Crato iniciou um trabalho de reconciliação histórica com a Igreja Católica, em 2001.

Um dos protagonistas do chamado “Milagre de Juazeiro” quando a hóstia se transformou em sangue na boca da beata Maria de Araújo, Padre Cícero ficou muito próximo de se excomungado da Igreja, em 1916, mas a sentença não chegou a ser executada pelo então bispo Dom Quintino Rodrigues de Oliveira.

PASSO A PASSO

No próximo dia 30, o bispo Dom Magnus Henrique fará uma sessão pública de abertura da causa. Na ocasião, serão apresentados os membros do tribunal constituído para o acompanhamento da primeira etapa, onde são criadas comissões que reunirão provas documentais e testemunhais da vida e virtudes heroicas do “padrinho.” Na prática, o processo é um “ato jurídico-canônico”, pois o bispo nomeia, por exemplo, além do postulador, juiz e promotor eclesiásticos. Esta é a chamada fase diocesana, que não é rápida.

Em Roma, acontece uma nova etapa, onde a causa é analisada por teólogos, historiadores e médicos. Se atender todas as exigências da Igreja, será analisado se aquele postulante é “venerável”. Diferente do caso de Benigna Cardoso, onde sua morte foi considerada um martírio, é necessário um milagre comprovado. O processo de beatificação do sacerdote deve durar muitos anos. Por exemplo, outros cinco cearenses também postulam o título de “beato”, tendo como caso mais antigo o de Francisca Benícia Oliveira, a Irmã Clemência, natural de Redenção, que é conduzida pela Arquidiocese de Fortaleza, desde 1975. Mesmo assim, o reitor da Basílica de Nossa Senhora das Dores, padre Cícero José da Silva, celebra. “30 de novembro significativa na história e na missão do Padre Cícero Romão e de todos os romeiros”, finaliza.

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