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OPINIÃO CE VIU. O dia em que a realeza britânica viveu no mundo de verdade

Foto: Divulgação

A julgar pelas duas temporadas imediatamente anteriores e pela linha do tempo da família real, não havia dúvidas de que a quinta temporada de “The Crown” se debruçaria com mais afinco sobre a delicada relação do príncipe e da princesa de Gales. O que não se esperava era que os diretores da atração pusessem os, à época, Charles e Diana em pé de igualdade com outros britânicos em processos de divórcio.

Cenas tensas apresentam uma isonomia entre ambos e tantas famílias dando um basta, em um tribunal comum, em relações fadadas ao fim. Não houve realeza no desfecho. Antes, uma intensa negociação realizada pelo ex-primeiro-ministro, John Major – a pedido da rainha Elizabeth II (in memorian), Charles, hoje Rei Charles II, e Diana (in memorian) – deu conta de que tudo fosse realizado com absoluta discrição.

O casamento tido outrora como um trunfo para a família real – cujo modelo monárquico estava sendo posto à prova, com questionamentos, por exemplo, à sua permanência no mundo moderno – é retratado na atual fase da série como um problema a ser sanado e apresenta perspectivas que mostram como, longe das câmeras, as dores e as alegrias da realeza inglesa se aproximam das do público fora desse circuito de privilégios: amor, sofrimento, traição, ganância etc.

Com dez episódios de cerca de 50 minutos, cada, a quinta temporada de “The Crown” é um convite político, sociológico, artístico e, sobretudo, historiográfico para se mergulhar em um universo onde o perfeito apresenta arestas que necessitam ser acertadas, evidenciando que nada, absolutamente nada é tão incrível que não precise ser modificado.

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