Números do Banco Mundial apontam que a década de 2012 a 2022 é a em que o planeta mais cresceu populacionalmente: pouco mais de um bilhão de habitantes. O total foi dado pelo Departamento de População da Organização das Nações Unidas (ONU) e atingido nesta terça-feira, 15.
Em 1972, 1982, 1992, 2002 e 2012, os quantitativos eram, respectivamente, 3,837 bilhões; 4,592 bilhões; 5,453 bilhões; 6,273 bilhões; e 7,089 bilhões. Também de acordo com a instituição, o dado é resultado do rápido crescimento populacional no último século, principalmente devido ao aumento da expectativa de vida.
Projeções da ONU, contudo, sugerem que o mundo abrigará cerca de 9,7 bilhões de pessoas em 2050. “As projeções demográficas são altamente precisas e têm a ver com o fato de que a maioria das pessoas que estarão vivas em 30 anos já nasceu”, explica o diretor da divisão de população da ONU, John Willmoth.
“Mas quando você começa a projetar a população daqui a 70 ou 80 anos, a incerteza aumenta.” No cenário considerado mais provável, a ONU projeta que a população mundial chegará a cerca de 10,4 bilhões na década de 2080.
PAÍSES AFRICANOS
Atualmente, o crescimento populacional está concentrado em poucos países, com mais da metade do aumento populacional previsto até 2050 ocorrendo em apenas oito: República Democrática do Congo, Egito, Etiópia, Índia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Tanzânia. Muitos estão concentrados no continente africano.
A China é o país mais populoso do mundo, mas espera-se que seja ultrapassada pela Índia até 2023, como várias projeções vêm apontando há décadas.
Nas próximas três décadas, a população do país da África Ocidental deve subir ainda mais: de 216 milhões este ano para 375 milhões, diz a ONU. Isso fará da Nigéria o quarto país mais populoso do mundo depois da China, Índia e Estados Unidos.
“A população em muitos países da África Subsaariana é projetada para dobrar entre 2022 e 2050, pressionando ainda mais recursos e políticas desafiadoras destinadas a reduzir a pobreza e as desigualdades”, aponta o relatório da instituição.
Na capital do Congo, Kinshasa, onde vivem mais de 12 milhões de pessoas, muitas famílias lutam para encontrar moradias acessíveis e pagar as taxas escolares. Enquanto alunos do ensino fundamental frequentam gratuitamente, as chances das crianças mais velhas dependem da renda dos pais.
TAXA DE NATALIDADE
Entre 2022 e 2050, espera-se que a população de 61 países ou áreas diminua em pelo menos 1% devido às baixas taxas de natalidade e, em alguns casos, à alta emigração.
Para a ONU, o marco de 8 bilhões é um momento para celebrar, refletindo um mundo com expectativas de vida mais longas, menos mortes maternas e infantis e sistemas de saúde cada vez mais eficazes
“Eu sei que este momento pode não ser celebrado por todos. Alguns expressam a preocupação de que nosso mundo está superpovoado, com muitas pessoas, e não dispõe de recursos suficientes para sustentar suas vidas. Estou aqui para dizer claramente que o número absoluto de vidas humanas não é motivo de medo”, afirma Natalia Kanem, diretora executiva do Fundo de População da ONU (Unfra), no mês passado.
A ONU reitera que não há razão para “alarmismo” demográfico e lembra que a melhor maneira de retardar o crescimento populacional é incentivar o desenvolvimento, especialmente para as mulheres.
Os dados mostram que nos países mais avançados as taxas de fertilidade tendem a cair e, por exemplo, 60% da população mundial vive agora em lugares onde as taxas de fertilidade estão abaixo do nível de reposição, enquanto que são os países menos desenvolvidos que continuam a ver o crescimento populacional. (Com Agências)
