Foi na atual Praça dos Mártires ou Passeio Público, no Centro de Fortaleza, na tarde do sábado de 16 de novembro de 1989, que a leitura de um despacho telegráfico anunciava a República no Ceará e o fim da Monarquia. O historiador Eusébio de Sousa registrou o momento na Revista Instituto do Ceará, em 1934. Na ocasião, personalidades cearenses da época celebraram a posse do primeiro presidente do Brasil, Marechal Deodoro da Fonseca, e foi feita a escolha do primeiro governador do Estado.
“Aclamaram chefe do Poder Executivo neste Estado o tenente-coronel Luiz Antonio Ferraz, que era, então comandante do 11º batalhão de infantaria”, detalha Eusébio no registro histórico. As informações são do jornal Diário do Nordeste.
A Praça dos Mártires recebeu esse nome em referência após nomes como Padre Mororó, Pessoa Anta, Azevedo Bolão e Feliciano Carapinima terem sido mortos no local após participação no movimento conhecido como Confederação do Equador, de 1824. No relato sobre a República, Eusébio faz menção ao episódio.
“Naquele soleníssimo instante, juntava à sua história estoutra página refulgente, não cheia de tão viva emoção como a de 1824, mas com a mesma finalidade, em prol do ideal republicano”, contou.
Na época, o chamado presidente da Província era coronel Morais Jardim. Ele recebeu a notícia sobre o novo regime e sua substituição de Manuel Bezerra: “o povo e a tropa de mar e terra, reunidos na praça pública, acabam de acalmar o governador do Estado Livre do Ceará, o cidadão coronel Luiz Antonio Ferraz”, detalhou Oliveira. Segundo Eusébio, não houve resistência.
“O velho militar, soldado experimentado, com trinta e cinco anos de caserna, compreendeu a gravidade do momento. Qualquer resistência seria inútil. Não contava mais com o povo. Estava só, inteiramente só”, escreveu o historiador. Segundo o documento, Morais Jardim fez um discurso a população pedindo que a ordem pública não fosse afetada.
