Ian Magalhães
Especial para OPINIÃO CE
ian.magalhaes@opiniaoce.com.br
Rose Serafim
rose.serafim@opiniaoce.com.br
O deputado estadual Guilherme Landim é o líder da bancada pedetista na Assembleia Legislativa do Ceará (ALCE) e figura central na definição das bases que vão apoiar o governo de Elmano de Freitas (PT), governador eleito.
Antes aliados, o PT e PDT romperam após definição de Roberto Cláudio (PDT), em detrimento de Izolda Cela (ex-PDT) para a disputa do executivo estadual, antes do início das campanhas. Contudo, parte dos pedetistas apoiou tanto as candidaturas de Elmano quanto a do ex-governador Camilo Santana (PT), agora senador eleito.
Segundo Landim, essa discussão ainda precisa ser feita com os parlamentares. Além disso, ele aguarda o posicionamento de Elmano sobre buscar ou não o PDT como base. No que se refere ao retorno da aliança, o parlamentar lembra que a sigla foi uma das primeiras a apoiar a candidatura presidencial petista no segundo turno e defende que a seja observada “a vontade pessoal” de cada deputado.
No segundo turno da corrida presidencial, após Ciro Gomes (PDT) deixar a disputa como quarto colocado, a sigla declarou apoio a Lula (PT), que findou vitorioso. O próprio Ciro Gomes declarou voto na candidatura petista, mas não chegou a participar da campanha de alguma forma. Contudo, a declaração já pôde ser vista como um sinal de reaproximação.
O senador Cid Gomes (PDT) é quem tenta retomar os laços de forma mais contundente, tendo subido ao palanque petista e, atualmente, bancando as tratativas de reconciliação. Guilherme Landim falou sobre esses e outros assuntos com o OPINIÃO CE na sexta-feira, 11, logo após sessão na ALCE que discutiu destino de emendas parlamentares. Cid Gomes e outras lideranças políticas foram convidadas a participar do momento.
OPINIÃO CE: Qual a importância para o Ceará do alinhamento entre os parlamentares estaduais e federais quando se fala em emendas individuais e também de bancada para o desenvolvimento do estado em saúde, educação, infraestrutura e afins?
GUILHERME LANDIM: O nosso intuito aqui hoje não foi interferir, não foi pressionar ou qualquer outra coisa. Foi apenas abrir o diálogo, poder contribuir com a bancada federal, trazendo opiniões diversas para que eles possam fazer o melhor juízo de valor no que é mais importante nessa destinação. Então, a nossa vontade foi de abrir o debate com a imprensa, com a sociedade civil, com parlamentares, para que a gente possa também contribuir nessa decisão deles. Foi esse o nosso intuito, e eu acho que é sempre salutar discutir destinação de recursos quando esses recursos vêm para resolver problemas importantes da sociedade.
OPINIÃO CE: O Ceará ele vem numa constante de gestões continuadas, como a de Tasso Jereissati (PSDB), Cid Gomes (PDT), Camilo, Izolda e, agora, o Elmano. Quais os ganhos sociais com esse alinhamento?
GUILHERME LANDIM: Eu acho que nós vivenciamos no Ceará, ao longo desses últimos dezesseis anos em especial, um crescimento muito importante. Essa continuidade é muito importante, sempre tendo humildade de reconhecer os erros, corrigi-los, ampliar aquilo que tá bom, tendo essa visão de escutar as pessoas. Entender, como foi entendido há muito tempo, que se precisava investir na educação. Hoje, nós chegamos em um patamar que é muito bom e que nós temos que ampliar e lutar muito pra isso. Identificar que a infraestrutura de saúde melhorou, mas que o atendimento precisa ser ampliado, que é isso que eu acho que o novo Governo tem que dar de prioridade, e assim por diante. Então, eu acho que é fundamental esse entendimento de estado e não de governo e que você tem que continuar aquilo que deu certo.
OPINIÃO CE: E, como deputado, qual é a avaliação do senhor nesses quatro anos de assembleia onde pautas mais de perfil bolsonarista passaram a ser discutidas fortemente dentro da casa?
GUILHERME LANDIM: Bom: foram quatro anos de muito aprendizado que eu julgo que pudemos contribuir em diversas áreas importantes. Para exemplificar, atuei de maneira muito forte na elaboração da nova política de incentivo hospitalar, que trouxe uma ampliação considerável nos recursos para os hospitais regionais de várias regiões, iniciando pelo Cariri e agora já sendo implantado em outras regiões do Estado, e outras pautas importantes. Acho que o Brasil vai começar a viver agora um novo momento em que nós temos que pensar muito mais no que é importante para a população. Em resolver aqueles problemas sensíveis e deixar de lado um pouco essas pautas de costumes. Acho que não é coisa com que a gente precise estar perdendo tempo. Nós precisamos usar o tempo com as coisas da vida real da sociedade.
OPINIÃO CE: Evandro Leitão segue como presidente da ALCE. Pelo perfil do deputado, como avalia que será a próxima legislatura?
GUILHERME LANDIM: Acho que o Evandro fez um trabalho espetacular. Tenho dito aqui que ele conseguiu unir essa Casa, apesar das divergências partidárias ideológicas, todo mundo num clima muito amigável e em defesa da sociedade cearense. E isso é reflexo da condução muito de escuta que Evandro tem e da unidade. Então, imagino que nós precisamos continuar isso ao longo dos próximos quatro anos.
OPINIÃO CE: Como fica essa questão da oposição e dos confrontos políticos e de ideias com a chegada de parlamentares como Carmelo Neto (PL)?
GUILHERME LANDIM: A divergência é sempre saudável. O contraditório faz com que se avance. Então, hegemonia nenhuma é salutar, unanimidade nenhuma leva a gente para um bom caminho. Acho que é sempre importante esses embates, e tenho certeza de que nós vamos fazer aqui da forma mais republicana possível e sempre pensando no melhor povo cearense.
OPINIÃO CE: Seu partido vai trabalhar em harmonia com o governador eleito, Elmano de Freitas (PT), apesar dos episódios ocorridos nas Eleições 2022?
GUILHERME LANDIM: A questão partidária ainda vai ser discutida. O governo só começa dia 1º de janeiro. Na Assembleia, a nova composição só começa a partir de 1º de fevereiro. Acho que tem tempo para se discutir. Primeiro ver qual a disposição do governador em convidar ou não o PDT para fazer parte da base e depois discutir isso dentro do partido.
OPINIÃO CE: Na quinta-feira, 10, havia parlamentares cearenses do PDT no evento do governo de transição, em Brasília. Inclusive, pediram para fazer selfies com o presidente eleito Lula (PT). Seria um indicativo de que a integração entre o PT e o PDT no Ceará deve voltar?
GUILHERME LANDIM: A nível federal, o PDT foi o primeiro partido que declarou apoio no segundo turno ao Lula, entendendo a importância de voltar o país a um bom caminho. Acho que a vontade de cada parlamentar precisa ser ouvida. Por isso que defendo que qualquer discussão seja feita dentro do partido, que sejam ouvidos os parlamentares.
OPINIÃO CE: O que esperar da Assembleia ainda esse ano? Para além do orçamento, quais votações e proposições?
GUILHERME LANDIM: Nós ainda temos algumas pautas importantes, que demandam bastante análise nossa, como é o caso do orçamento impositivo e outras questões que ainda estão pendentes, que imagino que dá tempo neste um mês e pouco que está faltando para gente colocar em pauta.
