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Dia Mundial do Ceratocone: Hábito de coçar os olhos pode desencadear doença

Foto: Freepik

A próxima quinta-feira, 10 de novembro, marca o Dia Mundial do Ceratocone, doença que atinge cerca de 150 mil brasileiros por ano, segundo dados do Ministério da Saúde. O ceratocone é uma doença genética, hereditária e de lenta progressão, caracterizada pelo afinamento e projeção para frente de uma camada fina e transparente do olho: a córnea. O problema afeta mais, na maior parte dos casos, crianças e jovens de 10 a 25 anos de idade, podendo progredir até a 4ª década de vida ou estabilizar-se com o tempo.

“No entanto, o que mais chama atenção dessa doença hereditária é que o hábito de coçar os olhos pode desencadeá-la”, explica Débora Vasconcelos, oftalmologista especialista em ceratocone.

A médica afirma que a ação inofensiva e comum no dia a dia, pode ser considerada um tipo de trauma, afetando diretamente a córnea, que está localizada na frente do olho, visto que é ela quem recobre o globo ocular. Débora esclarece ainda que o risco de aparição do ceratocone em pacientes alérgicos é maior. “Essas pessoas têm maior propensão a sentirem mais coceira nos olhos”.

A doença leva ao surgimento de miopia e alto grau de astigmatismo irregular, com diminuição da acuidade visual. Entre os sintomas mais comuns estão a perda progressiva da visão, que se torna cada vez mais distorcida; fotofobia, ou seja, sensibilidade à luz; visão dupla; dificuldade em enxergar à noite e; poliopia, que é a formação de múltiplas imagens de um objeto.

A oftalmologista explica que “em pessoas com Síndrome de Down, ou com alguma outra síndrome congênita, o ceratocone também pode estar presente”. É preciso ainda ficar atento àqueles que possuem histórico da doença na família, pois podem apresentar um quadro sem sintomas ou subclínico. O ceratocone não tem cura, porém é possível controlar a evolução da doença em pessoas geneticamente predispostas.

“Isso pode acontecer evitando coçar os olhos, tratando alergias e outras manifestações que levem à coceira e sempre visitando o oftalmologista de confiança para tratar o ceratocone da melhor forma possível”, diz Vasconcelos.

Tratamento

Quando o ceratocone está em fase inicial, apenas o uso de óculos pode ser suficiente para a melhora da acuidade visual, mas, com a evolução da doença, é preciso trocar os óculos por lentes de contato rígidas, pois ela está em contato direto com a córnea e ajuda a corrigir o astigmatismo irregular”, diz a especialista.

Outra opção de tratamento são as intervenções cirúrgicas. Antigamente ceratocone era sinônimo de transplante de córnea, mas atualmente há procedimentos cirúrgicos mais simples para amenizar a doença, como o crosslinking, que busca fortalecer as moléculas de colágeno da córnea para evitar que ela continue evoluindo. “Com essa tecnologia nós fazemos uma abrasão na superfície da córnea, após isso, aplicamos um colírio à base de vitamina B2 e, então, colocamos um feixe de luz ultravioleta”, explica Déberoa. O procedimento dura geralmente 15 minutos (a depender do tipo de ceratocone).

É possível também realizar o implante dos anéis intracorneais. “Esses anéis auxiliam na regularização da curvatura da córnea, devolvendo uma boa visão aos pacientes, uma vez que o tratamento inicial com óculos e lentes de contato não gerou resultados efetivos. E esse procedimento hoje em dia pode ser feito com laser, conferindo muito maior precisão e eficácia do resultado.”

Já em casos de resposta negativa às outras maneiras de tratamento, o que corresponde a um pequeno número de portadores de ceratocone em estado grave, é indicado o transplante de córnea.

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