Aqui no Ceará, as “coisas do sertão” se misturam a nossa história, a nossa vivência pessoal e coletiva. Somos um povo de memória viva, de paladar aguçado, de cheiros e sabores. Tudo se completa e vai resistindo ao tempo. Essa resistência – apesar de ter alicerces fortes fincados em solo sertanejo – se molda às necessidades impostas pelo tempo.
As velhas casas de farinha ainda estão ativas, mas precisam se modernizar sem perder a essência. É o que está acontecendo em Salitre, no sul do Ceará. O município, conhecido como “Terra da Mandioca”, vai receber intervenções para alavancar a mandiocultura.
As ações serão desenvolvidas em parceria entre a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Ce), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
A meta é dobrar a produção e a produtividade dos 172 agricultores que cultivam mandioca em Salitre e modernizar as casas de farinha da cidade. Ao Sebrae, caberá a orientação dos donos das casas de farinha para torná-las mais rentáveis. Os técnicos do Senar capacitarão os agricultores a produzir mais mandioca sem que seja necessário ampliar a área cultivada.
O Senai cuidará da modernização das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação da farinha. A ação conta ainda com o suporte da Prefeitura de Salitre e da Embrapa Mandioca, sediada em Cruz das Almas, na Bahia.
O projeto-piloto envolve 10 agroindústrias (casas de farinha) e até 60 mandiocultores. O interesse em modernizar essa atividade tão tradicional mostra o valor das nossas raízes e a riqueza na nossa força produtiva.
É possível unir tecnologia ao saber popular.
