É sempre assim. No final do ano, se aproxima e aumentam os registros de queimadas. É algo previsível, por razões climáticas e pela ação do homem. As chuvas diminuem, a vegetação fica mais seca. Há ainda o aumento da temperatura somado à temporada de ventos fortes que facilitam a propagação do fogo. Paralelo às condições climáticas, vem a prática antiga e prejudicial de usar fogo para limpar a terra para o plantio. Apesar das inúmeras orientações de órgãos ambientais e de assistência técnica rural, essa prática é difícil de ser contida, já que faz parte da cultura agrícola e tem baixo custo.
As queimadas são técnicas arcaicas que geram perda da biodiversidade, o empobrecimento do solo e o agravamento do aquecimento global. Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o Ceará já registrou, até este mês de outubro, cerca de 1.000 focos de calor. Ainda conforme o Inpe, considerando a base histórica iniciada em 1998, o ano que o Ceará alcançou o maior número de focos de calor foi 2004, com 10.582. No ano passado, o Estado registrou 4.379, o maior desde 2011.
O pico das queimadas acontece no mês de novembro. Daí a necessidade de intensificar ações de prevenção e combate. Já há estratégias em andamento, como o programa Previna que identificou as áreas mais susceptíveis a incêndios florestais e queimadas. É necessário agora avançar na substituição da prática ou, pelo menos, na utilização do fogo de forma a causar menos danos, usando barreiras e técnicas específicas. O ideal mesmo seria buscar meios de oportunizar aos agricultores acesso a alternativas adequadas.
