Apesar do preço de aluguéis de imóveis ter subido 1,08% em setembro, de acordo com o índice FipeZap+ de Locação Residencial, Fortaleza é uma das cinco cidades do Brasil com o menor aumento no preço de aluguel, tendo um aumento de 1,69%. A pesquisa acompanha o comportamento de locações em 25 cidades brasileiras, sendo 11 capitais. Em relação às demais capitais, segundo o levantamento, São Paulo (+1%); Rio de Janeiro (+0,84%); Belo Horizonte (+0,80%) e Salvador (+0,19%) também contribuíram para a desaceleração do índice, enquanto que, Florianópolis (+2,36%), Curitiba (+2,22%) e Goiânia (+1,85%) tiveram as maiores altas.
Com base nos dados das 25 cidades monitoradas pelo Índice FipeZAP+ de Locação Residencial, o levantamento mostra que o preço médio do aluguel de imóveis residenciais foi de R$ 35,74/m². O valor aumenta para R$ 44,47/m² ao destacar somente as capitais analisadas. Ainda segundo a pesquisa, Recife (R$ 40,86/m²), Florianópolis (R$ 37,80m²), Rio de Janeiro (R$ 36,74/m²) e Brasília (R$ 36,56/m²) têm os preços médios mais elevados. Por outro lado, as capitais com menor valor de locação residencial são Fortaleza (R$ 23,45/m²), Goiânia (R$ 24,71/m²), Porto Alegre (R$ 26,54/m²) e Curitiba (R$ 28,60/m²).
Segundo o economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE) Fábio Castelo, apesar da desaceleração, ao analisar o acumulado, os preços dos aluguéis continuam subindo acima da inflação. “Os preços do mercado de locação de imóveis têm tido elevação acima da inflação, apesar dessa desaceleração que aconteceu, no acumulado, em 12 meses, já chegou a 15,95%, bem a mais que os índices como o IPCA, que está em 7,17% e o IGP-M, em 8,25%. Em contrapartida a esse resultado, durante a pandemia, o índice chegou a crescer abaixo da inflação nos últimos dois anos”, analisa o economista.
Em relação aos dados da Capital, o especialista destaca a demanda reprimida durante a pandemia. “Nesse período, apresentou-se um grande resfriamento no mercado de locação de imóveis, sejam residenciais ou comerciais. Desta forma, é um mercado em franca recuperação, apresentando um rápido aumento de preços e que agora está se recuperando depois de dois anos de perda real dos preços”, salienta o conselheiro. Foram considerados mais de três mil anúncios imobiliários na cidade.
O preço médio do m² de aluguel chegou a R$ 23,45% em Fortaleza, um dos mais baixos entre as cidades pesquisadas, apesar dos recentes aumentos. Entre os bairros da capital cearense, Meireles e Mucuripe são os mais caros para alugar um imóvel, com preço médio de R$ 33,6 e R$ 32,7, respectivamente. O Cocó fica em terceiro lugar com R$ 24,9 /m².
REFLEXO DO PERÍODO
O economista Eldair Melo também credita o crescimento desacelerado à pandemia. “Os preços dos alugueis de imóveis tiveram um reflexo muito forte da pandemia. Atualmente, esse crescimento está de forma desacelerada, não está tão forte devido à queda do poder aquisitivo das famílias.”
Outro fator tem a ver com o preço dos insumos para se construir ou reformar imóveis, ainda segundo o especialista. “Aço, tubo, conexões, tinta, cimento. Há uma valorização por causa da alta desses insumos e o mercado de aluguel ‘pega carona’ com o aumento desses produtos. Um segundo fator é que hoje para você comprar um imóvel está mais caro, ou seja, no lugar de comprar um imóvel você aluga. Sai mais barato ir para o aluguel do que adquirir a casa própria”, finaliza Melo.
VARIAÇÃO MÉDIA
A variação média do aluguel residencial superou o resultado mensal dos principais índices de preço da economia doméstica, como o IPCA (-0,29%) e o IGP-M (-0,95%), que registraram deflação no período. A alta no preço do aluguel é acompanhada por um movimento de menor intensidade frente às variações observadas nos cinco meses anteriores: abril (+1,84%), maio (+1,70%), junho (+1,58%), julho (+1,37%) e agosto (+1,30%).
Em agosto, por exemplo, Fortaleza registrou preço de aluguel de imóvel em 3,17% mais caro, conforme o mesmo índice. Dentre as 25 cidades pesquisadas, a Capital teve o maior percentual de elevação registrado no período. O bairro com o m² mais caro na Capital foi o bairro Meireles R$ 33,6 /m², seguido por Mucuripe: R$ 32,2 /m² e Cocó: R$ 25,01 /m².
