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Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, no Cariri, vai virar Unidade de Conservação

O Governo do Estado do Ceará vai transformar o território da comunidade do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, no Crato, em uma Unidade de Conservação (UC). Nesta quinta-feira, 13, ocorre uma consulta pública presencial, no auditório do Geopark Araripe, no mesmo município, para discutir a proposta.

Até o final deste mês, a governadora Izolda Cela (sem partido) deve publicar no Diário Oficial o decreto de criação do Parque Caldeirão.

 

O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto ficou conhecido por sediar uma comunidade religiosa liderada pelo beato José Lourenço na década de 1930.

No lugar, descendentes de negros alforriados e discípulos de Padre Cícero trabalhavam e dividiam os lucros numa proposta de sociedade mais justa. Até 1932, mais de mil moradores, incluindo flagelados fugindo dos efeitos da seca, residiam no local.

Contudo, o modelo incomodou latifundiários e coronéis. Assim, em 1937, os sertanejos foram acusados de comunismo e alvo de um massacre promovido pelas Polícia Militar do Ceará e forças do Governo Federal, à época, gerido por Getúlio Vargas.

A estimativa é de que tenham ocorrido mais de mil mortes, mas não há registros oficiais com dados exatos. As autoridades negam o massacre.

Massacre do Caldeirão foi noticiado no Jornal Brasil

Em 2008, a ONG cearense SOS Direitos Humanos entrou com um pedido na justiça pedindo a procura, identificação, enterro digno e indenização dos descendentes dos mortos no Caldeirão. A ação foi arquivada, mas a ONG pediu novas buscas à Justiça.

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