Acontece na noite desta quinta-feira, 29, na Rede Globo, o último debate antes do primeiro turno que reúne os principais candidatos à Presidência do Brasil. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PL), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Soraya Thronicke (União Brasil), Luiz Felipe D’Avila (Novo) e Padre Kelmon (PTB) estarão presentes. O debate será nos estúdios da emissora do Rio de Janeiro e começará às 22h30.
Especialistas ouvidos pelo OPINIÃO CE avaliam que os principais candidatos, sobretudo o que está em primeiro nas intenções de voto, Lula, deve manter o mesmo comportamento que vem seguindo, com exceção de um novo assunto: o voto útil.
Os demais, no entanto, seguem à risca as próprias receitas com uma “pitada a mais de sal.” Para o professor universitário e analista político Gabriel Petter, o ex-presidente tentará convencer os indecisos ou apelar para o chamado voto útil, que pode vir tanto do eleitorado de Ciro Gomes e/ou de Simone Tebet, que, ao que tudo indica, poderá ultrapassar Ciro em número de votos.
“Obviamente, ele deve ser o alvo principal da maioria dos candidatos, mas evitará o desgaste que um debate importante como esse pode representar. Quanto ao Ciro, sua situação é crítica: além de estagnar abaixo dos dois dígitos nas intenções de voto, ele perdeu apoio dentro do seu próprio Estado, uma vez que seus irmãos apoiam o PT na sucessão estadual e Roberto Claudio (PDT) declina nas pesquisas de intenção de voto.”
Ainda de acordo com o docente, os ataques a Lula também partirão de forma incisiva de Bolsonaro. “Certamente, a sua participação será marcada por um ‘tudo ou nada.’ O atual presidente se consolidou com cerca de 33% das intenções de votos e agora deverá voltar todas as suas baterias contra Lula, provavelmente se valendo do discurso moralista e anticorrupção, mas também tentando apresentar as benesses concedidas nos últimos meses, como a diminuição do preço dos combustíveis e até a regulamentação do empréstimo consignado para beneficiários do Auxílio Brasil.”
REPETIÇÃO DE PERFIL
Na análise do cientista político e também professor universitário Clayton Mendonça, haverá uma repetição de posturas do que vem acontecendo. “Lula deve tentar uma postura comedida, porque tem mais a perder que qualquer outro. Os demais precisam tentar recuperar essa distância. Tendem a ser franco-atiradores”, enfatiza.
Segundo Mendonça, talvez, tenha uma diferença com Simone Tebet. “Eu imagino que ela esteja vendo sua candidatura atual, neste momento, como uma possível preparação para novas candidaturas no futuro, como governadora do seu estado e até mesmo uma nova candidatura para a Presidência do país. Ela quer aumentar a nacionalização de sua imagem.”
Simone Tebet, que vem crescendo consistentemente nas pesquisas de intenção de voto registradas na Justiça Eleitoral (JE) e costuma apresentar ótimo desempenho em todos os debates.
A presidenciável, mais uma vez, deve focar nos ataques a Jair Bolsonaro, destacando as mais recentes denúncias que vieram à tona contra o presidente e seus familiares, sem esquecer de Lula também, aponta Mendonça. Felipe D’Ávila e Soraya devem continuar fazendo as mesmas indagações que comumente fizeram nos debates anteriores, sem grandes surpresas, pontua ainda o professor.
Sobre Ciro Gomes, Mendonça afirma que Ciro segue atacando todos os candidatos. “O candidato do PDT vem se mostrando muito cheio de mágoas, inclusive no seu seio familiar. Aparentemente, ele deve continuar batendo no Lula por conta dessas mágoas. Ele não tem crença ou esperança de que vai para o segundo turno. Então, se torna também um franco-atirador.”
Em relação à presença do candidato Padre Kelmon (PTB), Mendonça reforça que a candidatura não representa seriedade alguma e não faz sentido ele se fazer presente no último debate da Rede Globo.
“Essa candidatura não é séria. Já começou não séria quando era o candidato original do partido, Roberto Jefferson, que está preso e depois entrou o padre. Ninguém o conhece, eu acho até ridículo (sic) que ele seja colocado para debater. Aparentemente, ele vai fazer uma dobradinha com o Bolsonaro e tentar levantar a bola para Jair cortar.”
