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Paulo Guedes diz a empresários que Selic é “freio de mão puxado”

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira, 26, que a taxa Selic este ano é “freio de mão puxado” e estimou que o país pode ter crescimento de até 3% no Produto Interno Bruto (PIB), mesmo com uma política de aperto monetário. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica em 13,75%, interrompendo o ciclo de 12 altas seguidas da taxa.

“A Selic este ano é freio de mão puxado. Preferimos crescer mais moderado, mas com equilíbrio fiscal. O fiscal está forte, a política monetária a mesma coisa. Com o freio de mão puxado, vamos crescer só 2,70%, 3% [do PIB]”, disse o ministro ao participar do evento Perspectivas para a Economia Brasileira, organizado pelo Fórum Empresarial da Bahia, em Salvador.

Guedes ainda provocou o ex-presidente da República, Lula. “Como o Brasil não vai crescer? Só não cresce se a gente colocar lá um saci-pererê, que só pula com a perninha esquerda”, afirmou, arrancando risos da plateia. O ministro voltou a dizer ainda que o presidente Jair Bolsonaro pretende extinguir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), caso se reeleja. “O IPI é imposto desindustrialização em massa”, criticou.

Em mais uma fala com tom eleitoral, Guedes acusou a oposição de fazer militância e de tentar boicotar o governo federal. “Nosso governo foi atacado de manhã, de tarde e de noite, 3 anos e meio. É a crise de abstenção de quem não está no poder, depois de 30 anos no poder.”

Ao defender que fez mudanças na estrutura da economia brasileira, ele disse que este é o primeiro governo a passar por uma eleição com Banco Central independente e negou que Bolsonaro seja populista. “Nosso governo é popular.”

CRÍTICA AO FMI
O ministro da Economia também ontem criticou o Fundo Monetário Internacional (FMI) por ter feito previsão de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cairia 9,1% em 2020, devido à pandemia. Segundo Guedes, a entidade “não ajudou em nada, só atrapalhou” ao fazer a projeção. Naquele ano, o PIB teve queda de 4,1%, menor que a prevista pelo FMI.

“O FMI fez a projeção de que o PIB brasileiro cairia 9,1%. Discordei, chamei atenção de que somos organismos vivos e que os modelos perdem aderências quando temos grandes incertezas e mudanças […] Mandei a missão do FMI embora. Dispensei educadamente”, disse o ministro, ao participar do evento.

Ainda conforme Guedes, economistas têm cometido erro semelhante ao fazer projeções sombrias para o País. “Tem o erro mais sofisticado, que é quando tem uma mudança profunda na estrutura da economia e o economista mantém a mesma previsão. Esse erro muitos economistas vêm cometendo no Brasil”, criticou. (Com Agências)

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