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O que os candidatos ao Governo do Ceará ainda podem projetar nos eleitores?

Foto: Natinho Rodrigues em 04/2022

Já se passaram metade dos 54 dias disponíveis para a campanha eleitoral. Os candidatos ao Governo do Ceará tiveram avanços e passaram por deslizes no período, além de terem adotado novas posturas. Roberto Cláudio (PDT), que entrou no pleito com o racha entre PT e PDT, trouxe nova camada para a rixa ao acusar a governadora Izolda Cela (sem partido) de favorecer a campanha petista com repasse de verbas para municípios apoiadores de Camilo Santana (PT) e Elmano de Freitas (PT).

Na avaliação de Emmanuel Freitas, o ex-prefeito de Fortaleza perdeu força com essa falta de alianças com o atual governo. Além disso, ele sofre com a má avaliação do prefeito José Sarto (PDT), que teve candidatura bancada por RC em 2020.

Segundo o professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e pesquisador do Laboratório de Estudos Sobre Política, Eleições e Mídia da Universidade Federal do Ceará (Lepem-UFC), o troca-troca de candidaturas ao Senado também foi contra o pedetista, que termina tendo Érika Amorim (PSD) no palanque.

Contudo, o perfil de gestor apresentado na propaganda eleitoral gratuita favorece RC, avalia o docente.” Já Wagner está conseguindo desviar da rejeição do presidente Jair Bolsonaro (PL) no Nordeste, tendo em vista a estabilidade do favoritismo dele nas pesquisas mesmo com a imagem do governante sendo atribuída a Bolsonaro pelos adversários.

“Wagner procura se esquivar desse apoio e tem uma justificativa até plausível porque o seu partido, que é o União Brasil ter uma candidata a presidente. Então, ele faz mais do que o certo do ponto de vista eleitoral.”

Quem mais cresceu na campanha, avalia, foi Elmano de Freitas, a partir do apadrinhamento do ex-governador do Ceará e do ex-presidente Lula. Contudo, para o pesquisador, essa estratégia pode já ter alcançado um “teto” e o parlamentar precisa agora se apresentar ao eleitorado para além do candidato de Lula e Camilo. Para o doutor em Sociologia, Clesio Arruda, os ataques recentes de Roberto Cláudio a Izolda podem criar “embaraços” para ele no eleitorado feminino.

“Já não foi bem recebido entre os eleitores o fato do PDT não ter optado pela recondução de Izolda para o cargo. Este fato pode ser explorado pelas duas outras candidaturas como continuidade de violência política de gênero”, arrisca. Luizianne Lins, deputada federal, tem sido citada pelos candidatos.

No primeiro debate ao governo, os três usaram a imagem da ex-prefeita de Fortaleza de alguma forma: RC para atingir Elmano, acusando-o de esconder a participação na gestão dela; Elmano exaltando o cargo de secretário de educação de Lins; e Wagner para se posicionar contra a violência política de gênero.

Para Arruda, embora esteja afastada da candidatura de Elmano, Luizianne tem eleitorado fiel em Fortaleza que é de interesse do candidato. Assim, a aproximação entre eles ainda é esperada.

“DE TEMA ÚNICO”
Com a alta rejeição a Bolsonaro no Nordeste, caso os adversários de Wagner consigam imputar a ele a imagem de candidato do presidente, o deputado federal licenciado ainda pode perder boa parte das intenções de voto, avalia Arruda. “Se a campanha de RC e de Elmano conseguir mostrar que o capitão daqui tem identidade com o capitão de lá, é possível retirar parte das intenções de votos de Wagner”.

Emmanuel indica outra dificuldade no capitão da Polícia Militar: a de se desvencilhar também da imagem de candidato de tema único. No caso de Wagner, o da segurança pública. Assim, é importante que ele busque espaço também falando sobre outros assuntos.

Segundo pesquisa Ipec lançada nesta sexta-feira, 9, Capitão Wagner segue na liderança, com 35% das intenções. Já Elmano e Roberto Cláudio estão empatados tecnicamente, com 22% e 21%, respectivamente.

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