Natural de Fortaleza e graduado em Direito, o deputado federal Eduardo Bismarck (PDT-CE) atuou como advogado, especialmente nas áreas administrativa e civil, com maior atividade na área de energia e mineração. Também advogou para entidades representativas de trabalhadores e ministrou aulas como professor convidado em cursos de pós-graduação.
Eduardo Bismarck é filho do prefeito de Aracati (CE), Bismarck Maia, está em seu primeiro mandato e compõe a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, como suplente. Em entrevista ao OPINIÃO CE, o parlamentar, que recebeu as cinco estrelas, maior nota possível, no Índice Legisla Brasil, levantamento que avalia os deputados, falou sobre a importância da premiação, seus projetos como deputado, sobre o cenário político atual, entre outros pontos.
OPINIÃO CE – Qual a relevância da premiação? O senhor acha que é um bom modo para a população medir a qualidade parlamentar dos deputados?
EDUARDO BISMARCK – Fiquei muito feliz com a colocação, por saber que nosso mandato tem sido reconhecido com excelência máxima nesse ranking. A premiação é ainda mais relevante porque não possui viés partidário e ideológico: é independente e foca na produção de cada parlamentar por meio de 19 índices. É muito bom que o eleitor possa analisar, com base nos critérios estabelecidos pelo prêmio, o desempenho de cada deputado, pois acaba por criar uma competição saudável entre nós parlamentares. E só quem ganha com isso é a população.
OPINIÃO CE – Quais projetos destacaria de seu primeiro mandato como federal?
EDUARDO BISMARCK – Nosso primeiro mandato tem sido de muitos feitos, diversos projetos, articulações, relatorias e diálogo, para atender a todos que nos procuram. Alguns projetos têm ganhado mais destaque. O nosso projeto de lei (PL) 1501/19, que atualmente é lei e tornou o Carnaval de Aracati patrimônio da cultura nacional. O PL 21/20, que regulamenta o Marco Legal da Inteligência Artificial no Brasil, e o PL 3817/20, que cria o piso nacional do secretário escolar. Estes dois últimos já estão bem avançados.
OPINIÃO CE – Sete dos 19 deputados do PDT na Câmara Federal são cearenses. Como o partido conseguiu ter essa densidade no Ceará, de eleger tantos deputados?
EDUARDO BISMARCK – Nossa bancada iniciou essa legislatura com 29 deputados, porém atualmente somos 19. Com o fim das coligações, alguns deputados que não construíram base partidária em seus respectivos estados, acabaram migrando para as legendas que costumavam coligar. No Ceará, somos diferentes e devemos muito aos ensinamentos do senador Cid Gomes. Montar grupo partidário dá trabalho e exige dedicação, mas é o único caminho para construção de um partido forte. A consequência disso é justamente o crescimento partidário e a continuidade de políticas públicas que dão certo.
“Nós cearenses somos a maioria do PDT na Câmara, mas na Assembleia Legislativa do Ceará [ALCE] também. Nela, há a maior bancada. O PDT CE conta também com o maior número de prefeitos.”
OPINIÃO CE – Apesar da orientação do PDT ser de centro-esquerda, o partido votou em algumas pautas do presidente Jair Bolsonaro [PL], como a PEC dos Precatórios…
EDUARDO BISMARCK – Sou da filosofia de que nem sempre aprovamos o que queremos, mas
sempre aprovamos o que é possível. Na prática, isso quer dizer que, nas negociações de projetos dentro do Parlamento, dialogamos muito para achar meios de caminho, onde podemos conquistar vitórias mesmo em meio a derrotas. Via de regra, a oposição já entra vencida por ser a minoria. Então, viabilizamos direitos dentro de textos, para diminuir danos. E, quando chegamos a um acordo, temos que cumprir, aprovando aquilo que negociamos. Faz parte da dinâmica do Congresso.
No caso específico dos precatórios, por exemplo, dentre outras vantagens, diminuímos as parcelas dos precatórios da educação de 10 anos para 3 anos, juntamente com a presença da representação dos professores.
OPINIÃO CE – Qual sua avaliação desses quase 4 anos de governo Bolsonaro?
EDUARDO BISMARCK – A situação do país responde por si só. Crise econômica, crise institucional entre os poderes, debates infrutíferos na imprensa, administração sem qualquer grande feito, o sobe e desce desenfreado dos combustíveis, o preço da cesta básica absurdo, fome, suspeitas de corrupção que não são apuradas, polêmicas em geral, sem debate de ideias… Infelizmente, vivemos um dos piores momentos, e é preciso mudar.
OPINIÃO CE – O senhor acha que, do ponto de vista comportamental, o cenário nacional é o mesmo que elegeu Bolsonaro em 2018? Ou existem outras perspectivas?
EDUARDO BISMARCK – Acho que havia um forte sentimento de mudança em 2018 e que naquela época as pessoas buscavam a antítese de tudo o que existia. Eu vejo o atual presidente como “de transição” de um longo ciclo, a exemplo dos papas. Se isso vai garantir uma nova eleição para o atual presidente, veremos mais à frente. Ainda acho que existe um forte sentimento anti-petismo no país. E também que as pessoas estão procurando uma alternativa aos dois.

OPINIÃO CE – O que o senhor pensa sobre a polarização entre Ciro e Lula, considerando a candidatura de Ciro Gomes?
EDUARDO BISMARCK – Ciro é um político e ser humano admirável, competente e, de longe, o mais preparado para assumir a Presidência do país. Não é surpresa que ele e Lula não fossem formar uma aliança. Não estão na mesma página e tampouco compartilham dos mesmos ideais e opiniões. Qualquer polarização em um eventual segundo turno entre Ciro e outro, Ciro certamente sairá vencedor. Ele só precisa ter a oportunidade de ser ouvido, e a população enxergá-lo como alternativa viável. Vejo que ele irá crescer logo no início da campanha oficial.
OPINIÃO CE – Trazendo para o cenário estadual, qual a sua expectativa para as eleições de governador? Nos últimos dias saiu a Pesquisa Ipespe, que indicou Capitão Wagner na frente, Roberto Cláudio em segundo e Elmano em terceiro. O senhor acha que Capitão Wagner mantém a liderança e a disputa vai ser entre Roberto Cláudio e Elmano para o segundo turno ou existe uma possibilidade de irem os candidatos do PDT e do PT para um eventual segundo turno?
EDUARDO BISMARCK – Acredito que o Roberto Cláudio estará no segundo turno, porém é difícil responder com quem. O Capitão Wagner está numa decrescente, porque antes era a única
candidatura realmente posta. O Elmano, por outro lado, larga com a força do apoio, mas eu acredito que ele tem um teto. Vejo ambos muito ligados às pautas ideológicas dos palanques nacionais [Bolsonaro e Lula], mas sem projetos concretos para o Ceará. Nenhum dos dois concorrentes do RC possuem a experiência administrativa que ele tem.
Estamos falando de Governo do Estado, uma estrutura gigantesca que vem investindo bilhões anualmente. E o eleitor é muito sábio nesse ponto.
OPINIÃO CE – Qual o diferencial do candidato Roberto Cláudio. O que faria o eleitor votar no candidato do PDT e não em Capitão Wagner ou Elmano?
EDUARDO BISMARCK – Roberto Cláudio, como o próprio senador Cid já disse, é de longe o mais preparado. Além disso, já demonstrou competência administrativa de alto nível durante toda sua vida pública, com muitos feitos, especialmente para a capital cearense. Além disso, reúne outras habilidades como capacidade de diálogo, discernimento de ideias, simpatia, respeito ao próximo, trabalha muito, tem espírito público, lealdade ao grupo e a sua filosofia, e é um visionário, entre outras qualidades.
OPINIÃO CE – E, para finalizar, qual a sua expectativa e desejos para a sua próxima legislatura, já que o senhor vai concorrer à reeleição?
EDUARDO BISMARCK – Estou indo para uma reeleição de cabeça erguida por ter estado sempre ao lado da população em minhas votações, especialmente dos mais humildes, e por ter sido um trabalhador incansável, o que se refletiu em reconhecimentos como o desse índice e outros rankings. E também por ter articulado recursos vultosos para nosso Estado, que estão mudando a realidade dos cearenses para melhor. Porém, aprendi bastante ao longo desses 4 anos, e tenho certeza de que posso fazer ainda muito mais pelo meu país e pelo meu Ceará. Pretendo ainda lutar pela aprovação do piso salarial dos secretários escolares, pelo Marco Legal
da Inteligência Artificial, que trará investimentos bilionários para nosso país e muita oportunidade de empregos aos jovens na área de tecnólogo.
“Também regulamentar a profissão dos bugueiros turísticos que é um sonho de mais de 20 anos da categoria, garantir também mais investimentos e projetos para o desenvolvimento Ceará e para o turismo do país.”
