Menu

Quais os reais riscos da varíola dos macacos para os brasileiros?

Foto: Mariana Parente

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu criar um Comitê Técnico da Emergência Monkeypox (varíola de macacos) para que as áreas técnicas de pesquisa clínica, de registro, de boas práticas de fabricação, de farmacovigilância e de terapias avançadas atuem em processo colaborativo, inclusive com os profissionais de saúde e a comunidade científica em todo o país.

Atualmente, o Brasil tem pelo menos 800 casos confirmados. No Ceará, até o momento, são quatro pessoas infectadas, segundo a Secretaria de Saúde (Sesa) do Estado. Mas afinal, a Monkeypox traz verdadeiros riscos para o país?

Na avaliação de Thereza Magalhães, PhD em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP) e professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece), não há motivo para pânico, apesar da alta taxa de transmissibilidade.

“Fazendo uma comparação, teremos bem menos casos do que de covid-19, mas o Brasil deve ter muitos casos da varíola dos macacos em relação ao número de casos do mundo. Na minha avaliação, é preciso reforçar as orientações sobre a prevenção sexual e a prevenção de contato com as vesículas que essa doença causa.

Além disso, descontaminação de roupas, toalhas e lençóis também é um bom ponto para começar a orientar a população, mas inexiste motivo para pânico”, explica a especialista. A Sesa informou que até o último domingo (24) o Ceará soma 61 casos notificados de monkeypox.

Destes, 31 foram descartados laboratorialmente, enquanto que 26 estão sendo investigados. Até o momento, quatro pacientes tiveram confirmação para a doença, sendo três residentes de Fortaleza (sexo masculino, 35, 26 e 30 anos) e um do município de Russas (sexo masculino, 43 anos). Em coletiva à imprensa ocorrida no último dia 26, a Sesa afirmou que o Ministério da Saúde já está articulando vacinas.

SUPERLOTAÇÃO

Ainda sofrendo a “ressaca” da covid-19, o sistema de saúde brasileiro está abalado com os efeitos da pandemia, principalmente pela quantidade de gasto e esforço das equipes. Com a chegada dos casos da varíola dos macacos, pode haver o problema de sobrecarga nos hospitais. É o que reforça Fernanda Remígio, infectologista e diretora da Sociedade Cearense de Infectologia (SCI).

No entanto, segundo a diretora da SCI, a perda, na realidade, “pode ser econômica, uma vez que o paciente tem que ficar isolado por volta de quatro semanas e isso prejudica empresas e o empregado.” “A mensagem que deixo sobre essa doença é ficar informado e atento para as medidas que podem ser tomadas. Já existe medicação e vacina para a monkeypox, diferentemente da covid-19, por exemplo.”

Em relação à transmissão, Remígio salienta que ser infectado pela doença não tem a ver necessariamente com relações sexuais. “Na verdade, a transmissão é por contato próximo entre as pessoas. Mas não é uma doença sexualmente transmissível.”

ANIMAIS TRANSMITEM

A epidemiologista e vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Lígia Kerr, explica que a varíola de macacos é uma doença zoonótica viral, ou seja, é um vírus transmitido, inicialmente, de roedores, o mais provável, para o ser humano. “E endêmica, isto é, sempre existe em um certo número de casos, na África Central e Ocidental. O vírus é da mesma família da nossa conhecida varíola, doença bem mais grave que a monkeypox, e que foi vencida com a vacinação em massa da população mundial na década de 80”.

Lígia também explica que os sintomas podem aparecer ou não e isso prejudica na hora do diagnóstico: “os sinais e sintomas que antecedem a doença podem ser leves ou mesmo estarem ausentes. A OMS relata casos confirmados sem erupção cutânea visível, com manifestação clínica de dor anal e sangramento retal.

A doença pode ter relativamente poucas bolhas ou espinhas em comparação com o que tem mostrado nos noticiários, o que provavelmente contribuiu para um período de diagnóstico errado da monkeypox confundida com outras doenças infecciosas, em especial no Brasil, com a covid-19, a dengue, Chikungunya, Zika, entre outras. Em relação às vacinas,

Lígia reforça que o Brasil está em tratativas com a OMS sobre aquisição de vacinas para grupos que possam ser identificados “em maior risco de adquirir a doença. Afinal, não temos vacinas suficientes para toda a população e, neste momento, não seria necessária esta intervenção. Mas deveremos monitorar o crescimento da doença.”

Deixe um comentário