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Mudança de diretriz da Petrobrás não chegará na bomba de combustíveis

Natinho Rodrigues
Natinho Rodrigues

Priscila Baima
priscila.baima@opiniaoce.com.br

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou, em reunião realizada nesta quarta-feira, 27, a Diretriz de Formação de Preços no Mercado Interno a ser aplicada aos derivados de petróleo e gás natural, comercializados no mercado interno, incluindo o próprio Conselho de Administração e o Conselho Fiscal na supervisão da execução das políticas de preço da petroleira.

A ação, no entanto, não vai alterar a política de preços da estatal com o mercado brasileiro e internacional. Segundo a companhia, a diretriz reitera a competência da diretoria executiva na execução das políticas de preço, preservando e priorizando o resultado econômico da companhia, “buscando maximizar sua geração de valor”, mas não altera a política de preços.

“Vale destacar que a referida aprovação não implica em mudança das atuais políticas de preço no mercado interno, alinhadas aos preços internacionais, e tampouco no Estatuto Social da companhia”, informou a estatal.

Essa nova diretriz incorpora, na verdade, uma camada adicional de supervisão da execução das políticas de preço pelo Conselho de Administração e Conselho Fiscal, a partir do reporte trimestral da diretoria executiva, formalizando prática já existente, segundo a empresa. Na avaliação do analista político e geógrafo, Gabriel Petter, a curto prazo, a nova diretriz da Petrobras não vai impactar nada na política de preços.

“A única coisa que essa nova diretriz, na prática, está fazendo é reforçar a responsabilidade da diretoria executiva. Havia uma especulação antes que o Conselho de Administração é que poderia elaborar essa política de preços e isso de certa forma preocupou o mercado, mas a diretoria executiva é quem continua responsável pelo valor do preço do barril.”

Ainda segundo o especialista, a nova diretriz é um desdobramento neutro. “Até porque temos que lembrar que faltam menos de três meses para o primeiro turno das eleições deste ano e, caso haja aumento, não vai levar nenhum dividendo eleitoral para o presidente Jair Bolsonaro (PL).”

O economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Conrecon-CE) entende que o propósito real da diretriz é ser mais um instrumento de ampliar governança, “mas pode se transformar num mecanismo de barrar, principalmente, algum tipo de elevação dos preços. No entanto, não ficou definido se isso iria impedir ou se iria auxiliar o Conselho de Administração. Na minha avaliação, não vai ter impacto na elevação dos preços”, reitera.

Embora acrescente os conselhos de Administração e Fiscal, a diretriz reiterou a competência da Diretoria Executiva na execução das políticas de preço, para “preservar e priorizar o resultado econômico da companhia.

“Os procedimentos relacionados à execução da política de preço, tais como, a periodicidade dos ajustes dos preços dos produtos, os percentuais e valores de tais ajustes, a conveniência e oportunidade em relação à decisão dos ajustes dos preços permanecem sob a competência da Diretoria Executiva”, confirmou a empresa.

LUCRO LÍQUIDO PASSA DE R$ 44 BI
No último dia 26, dados do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) apontaram que a Petrobras deverá registrar lucro líquido de R$ 44,2 bilhões a R$ 60,4 bilhões no segundo trimestre de 2022. O mercado aguarda a divulgação do balanço oficial do resultados operacionais e financeiros para esta quinta-feira, 28.

No primeiro trimestre, a estatal registrou lucro líquido de R$ 44,561 bilhões. O valor representou alta de 3.718,4% em relação ao mesmo período de 2021, quando a estatal registrou R$ 1,16 bilhão de lucro, devido, principalmente, aos impactos negativos da pandemia. Além do lucro, o balanço da companhia também trará outros resultados.

A expectativa de Geração de Caixa Operacional é de R$ 65,3 bilhões, enquanto o Fluxo de Caixa Livre de R$ 52,9 bilhões. Aguardada entre os acionistas, a distribuição de dividendos deverá oscilar entre R$ 47 bilhões e R$ 58 bilhões, caso seja mantida a mesma política de distribuição dos trimestres anteriores.

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