Quem não gosta de encontrar aquela blusa ou bolsa de crochê com um preço atrativo e de material de qualidade? É essa a principal proposta de bazares e brechós. Nesta sexta-feira, 15, e neste sábado, 16, a tradicional avenida Monsenhor Tabosa vai receber seu 6º Mega Bazar com mais de 30 estandes em seu calçadão, que vão expor e comercializar artesanato e outros produtos de empreendedores locais. A iniciativa é da Associação dos Lojistas da Monsenhor Tabosa (Almont).
No local, haverá também uma Feira de Discos promovida pela Direct Discos. Além disso, cerca de 100 lojas de vários segmentos como bolsas e acessórios, vestuário e calçados participam da ação, com produtos com descontos de até 70%. Jane Uchoa, artesã e participante de primeira viagem do bazar, está empolgada para levar novidades aos consumidores.
Sua marca é a JUÁ Macramê, feito à mão. “São acessórios e itens de decoração, todos feitos por mim, manualmente. Nossos itens variam entre R$ 15 e R$ 250. Toda a matéria prima da JUÁ Macramê é cearense, e pasme, nunca encontramos fornecedor de fora com melhor proposta de qualidade e preço. Nosso estado realmente possibilita uma produção acessível de artesanato com linhas de algodão, que é a matéria-prima que utilizamos”, revela a expositora.
VOZ DE QUEM SABE
Comprar em bazar já é cultura na vida da arte-educadora, Raquel Santos, que frequenta e é assídua nesses espaços desde 2004. Para a artista, não é só o preço baixo que conta, mas também a responsabilidade com o Meio Ambiente.
“Existe uma coisa muito importante que é o consumo consciente. Antes, se pensava que aquele produto seria visto como algo descartável, mas não é. Roupas, por exemplo, podem durar anos. Nesses lugares, eu compro muita blusa e calça que me deixem à vontade. Além disso, tem a questão do meu tamanho. Eu sempre tenho que procurar tamanhos grandes, geralmente GG. A Pitéu Store e Flor do Mandacaru são de Fortaleza e se atentam bastante para a questão do tamanho”, revela Raquel.

A recente frequentadora de bazar e brechó, Liana Marinho, salienta que encontrar roupas confortáveis para seu corpo tem sido mais fácil em brechó e bazar do que nas grandes lojas de departamento.
“Eu comecei a comprar em bazar recentemente. Uma amiga me falou de um grupo de WhatsApp e entrei. Me chamou atenção pela qualidade das peças e por ter regras tanto quanto a preço quanto para os produtos. Perdi muito peso recentemente e esse grupo tem possibilitado que eu compre mais peças de roupa do que em qualquer outro lugar”, pontua Liana, que é jornalista.
Além disso, Liana acredita que a tendência de compra em brechós e bazares vai aumentar devido a um fator crucial: “se você gasta mais com gasolina e com alimentação acaba faltando dinheiro para vestuário e mobília, por exemplo”.
PERFIL DE CONSUMO
O economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE) Wandemberg Almeida avalia que os frequentadores desses locais tendem a ser um público mais jovem, mais preocupado com o Meio Ambiente, e que estão sempre conectados nas redes sociais.
“A população está mudando seus hábitos e há esse fortalecimento de pessoas se desapegando de seus bens para serem reutilizados por outras pessoas. É um resultado positivo tanto para quem consome quanto para quem está vendendo. Há um ganho econômico e uma contribuição social muito importante”.
Ainda segundo o economista, as “vitrines on-line” contribuem para que esses brechós e bazares aumentem suas vendas, uma vez que as pessoas podem avaliar os produtos antes de chegar ao local. A dica é: avaliar o custo-benefício, o tipo de material e comparar preços em relação ao grande varejo.
O economista Ricardo Coimbra complementa que “o mercado de brechós e bazares segue crescendo em função de alguns fatores, como a taxa de desemprego elevada, alguns produtos, principalmente de marca, tendo a possibilidade de serem comercializados. Isso gera renda para pessoas que tiveram dificuldade de se reinserir no mercado de trabalho e muitas vezes também a possibilidade de ciclos familiares gerarem renda.”
