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Disparada da Selic encarece imóvel comprado na planta, diz estudo

Simulação da plataforma MelhorTaxa, comparando condições de financiamento imobiliário de março de 2020 com atuais, aponta que custo efetivo total do crédito saiu de 8,25% ao ano para 10,06%

Levantamento é voltado à incidência de valores do mercado imobiliário (Foto: Natinho Rodrigues)

O último aumento da taxa Selic em 1 ponto percentual, para 11,75%, ainda não chegou às taxas de crédito imobiliário, mas pode ser um risco para quem comprou um imóvel na planta nos últimos anos e vai receber as chaves em 2022.

Simulação feita pela plataforma de crédito imobiliário MelhorTaxa, comparando as condições de financiamento imobiliário de março de 2020 com as atuais, aponta que o custo efetivo total do crédito já subiu de 8,25% ao ano para 10,06%.

Na época, a média dos juros cobrados para o financiamento era de 7,49%. Uma pessoa com cerca de 30 anos, que comprasse um imóvel de R$ 400 mil e, com a retirada de 30% de entrada, precisasse financiar R$ 280 mil, pagaria no final do contrato R$ 618.692,61. Neste ano, o mesmo financiamento custaria, no final, R$ 689.495,28, diferença de quase R$ 71 mil.

Além do maior valor gasto, o aumento da taxa de juros significa que é preciso comprovar uma renda maior. Se em 2020 era necessário ter uma renda de R$ 8.517,74 para conseguir o financiamento de R$ 280 mil, hoje o valor subiu para R$ 9.825,27, e poderá aumentar ainda mais caso os bancos elevem as taxas.

A renda mínima necessária afasta novos compradores, que podem adiar a decisão da compra, e é um risco para quem comprou imóvel na planta há dois, três ou quatro anos, e recebe as chaves em 2022. Nesse tipo de compra, o dono do imóvel só começa a pagar o financiamento efetivamente quando o imóvel é entregue.

Se não tiver como comprovar a renda exigida para conseguir o crédito, pode ser forçado a fazer um distrato, e pagar multa que varia de 25% a 50% do valor do imóvel. Segundo levantamento da plataforma, a média neste mês da taxa cobrada pelos cinco principais bancos brasileiros -Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Itaú e Caixa- está em 9,33% ao ano, patamar que mantém desde janeiro.

Mesmo sem grandes aumentos esperados para o futuro, as taxas cobradas hoje são bem maiores do que há dois anos, quando a Selic atingiu seu valor mínimo de 2% e a média dos juros do financiamento imobiliário ficou em 6,96% ao ano. (Folhapress)

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