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Temáticas trabalhistas são desafios da gestão de José Sarto

Desafios que surgem na área conseguem ser resolvidos, mas nem sempre na totalidade, como reajuste salarial dos trabalhadores do Município

Ingrid Campos
ingrid.campos@opiniaoce.com.br

Paço Municipal é sede da Prefeitura de Fortaleza (Foto: Divulgação)

Reajuste de servidores municipais, novo piso do magistério, plano de cargos e carreiras, carga horária para educação permanente. Estas são algumas das pautas que foram ou estão sendo apreciadas pela administração de Sarto Nogueira (PDT) entre o fim do ano passado e o começo deste ano.

Algumas delas já estavam no calendário do governo, enquanto outras eram heranças de gestões passadas ou questões que surgiram repentinamente. De toda forma, a avalanche de pautas trabalhistas neste curto período gera movimentação de sindicatos e da política institucional, relação que nem sempre é harmoniosa.

Além disso, de modo geral, a pressa na apresentação e na tramitação da Reforma da Previdência Municipal, no ano passado, ainda está viva na memória dos servidores e dos parlamentares da capital cearense. Sempre que alguma matéria nessa seara chega à Casa com críticas das entidades de classe, o assunto retorna em discurso de parlamentares da oposição com o objetivo de atentar para como a Prefeitura conduz assuntos trabalhistas.

Os desafios que surgem nessa área ainda conseguem ser resolvidos, apesar de nem sempre em sua totalidade. É o caso do reajuste salarial dos trabalhadores do Município. O diálogo dificultado e a falta de transparência para lidar com questões do tipo são constantes críticas feitas à gestão de Sarto. À época da tramitação do projeto sobre o assunto, sindicatos declararam que a proposta foi apenas apresentada pela Prefeitura sem debate com as entidades de classe, processo que seria necessário para apresentar as demandas das categorias.

Após protestos e reuniões com membros do Legislativo, o Executivo resolveu acolher as reivindicações em uma mesa de negociação e apreciar algumas delas na matéria sancionada. Contudo, a correção percentual e a forma parcelada de concessão do reajuste ainda causaram incômodo aos servidores.Atualmente, outro tema que movimenta a gestão é a redução da carga horária de enfermeiros, dentistas e médicos do Programa Saúde da Família (PSF) voltada para a educação permanente.

No fim de janeiro, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) apresentou uma proposta aos sindicatos de diminuição das oito horas semanais dedicadas à atualização dos estudos na área para 8 horas mensais. Esse tempo, segundo a pasta, deve ser dividido em 4 horas a cada 15 dias. Desde 2013, 20% da carga horária de trabalho é assegurada à educação permanente. Esse é um processo moderno, uma dinâmica que vem sendo implantada em outros órgãos.

“Nós, servidores, sentimos que o atendimento à população pode ser prejudicado por essa nova iniciativa da secretaria da Saúde”, diz Leonardo Alcântara, presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará. O gestor, um dos que liderou a paralisação da categoria na quinta-feira, 3, e o diálogo com vereadores de Fortaleza, já adianta que a categoria vai negar a proposta da SMS enquanto se mobiliza para garantir o direito em lei.

Questionada por e-mail sobre o motivo da mudança, a pasta não respondeu à reportagem. O episódio, na opinião de parlamentares, causa desgaste desnecessário com os trabalhadores. “Que momento a secretária da Saúde quer presentear aqueles que estão na porta de entrada do SUS com a retirada de algo ganho, porém não regulamentado? Eu nunca vi um erro político tão grande”, disse Danilo Lopes (Podemos), em sessão da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFOR). A opinião é compartilhada pelos outros vereadores que participaram da conversa com servidores, como Márcio Martins (Pros) e Adriana Gerônimo (Psol).

A Casa é um constante ponto de protestos dos servidores. No mês passado, trabalhadores foram à CMFOR para pressionar a Prefeitura sobre a análise do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) da especialidade gestão pública, que não é renovado desde 2007. Como a pauta já estava sendo analisada pela Secretaria do Planejamento, Orçamento e Gestão (Sepog), vereadores da base e da oposição de esquerda orientaram que os sindicatos aguardem retorno da pasta. Os parlamentares se colocaram à disposição para acompanhamento desse processo.

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