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UFC desenvolve moléculas capazes de reduzir infecção por covid-19

Ao todo, foram utilizados nos testes quatro peptídeos sintéticos.
Foto: Agência UFC

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Uma equipe de pesquisadores do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular e do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (UFC) conseguiu atestar a eficiência de moléculas, do tipo peptídeos, para bloquear a ação do vírus causador da covid-19. A substância, criada em laboratório, consegue impedir a ligação do novo coronavírus com o organismo, evitando a infecção. O estudo faz parte do esforço de pesquisadores em busca busca de moléculas sintéticas com alto potencial farmacológico.

O primeiro estudo foi publicado em julho de 2020, considerado pioneiro. Agora, em novas publicações, o grupo validou in vitro (pondo as moléculas em contato com o vírus in natura) a função dos peptídeos como agentes capazes de impedir que o coronavírus use a proteína spike, a principal chave de entrada, para se conectar à proteína ACE2, localizada na superfície da membrana das células humanas. “Esse experimento simula muito bem o que ocorre com nossas células durante a infecção pelo vírus”, explica Pedro Filho Noronha de Souza, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo.

“É geralmente nesse ensaio que as drogas falham, porque a carga viral é muito alta. Mesmo assim, nossos peptídeos foram efetivos em reduzir a formação da placa viral, mantendo as células vivas”, diz.

Funciona assim: ao interagir com o vírus, os peptídeos alteram a proteína spike, retirando dela essa possibilidade de conexão. A ideia, segundo os pesquisadores, é que, uma vez neutralizada a chave de entrada do vírus, a infecção ou a replicação dele não ocorra, ou aconteça em nível reduzido, aliviando ou extinguindo os sintomas da covid-19.

Substâncias

Ao todo, foram utilizados nos testes quatro peptídeos sintéticos. Todos eles foram desenhados com proteínas extraídas de plantas: dois deles, batizados de PepKAA e PepGAT, foram desenhados a partir de proteínas da espécie Arabidopsis thaliana. Já as moléculas batizadas de Mo-CBP3-PepII e RcAlb-PepI foram criadas a partir de proteínas das espécies Moringa oleifera e Ricinus communis. Segundo os pesquisadores, apesar de todos terem apresentado a habilidade de proteger as células contra infecção em algum nível, dentre os quatro, o que apresentou melhores resultados foi o PepKAA.

Nos testes de inibição, o peptídeo alcançou cerca de 60% no nível de eficácia, nas duas concentrações aplicadas (0,15 e 0,30 mg), além de ter apresentado maior sinergia na interação com a proteína spike do vírus.

Apesar dos resultados animadores, o caminho até que os peptídeos se transformem em remédios, segundo o pesquisador Pedro Filho, ainda é longo, já que requer novas pesquisas, com alto nível de investimento. “O próximo passo é partir para teste in vivo com animais e in vitro com células humanas, para ver o comportamento dos peptídeos. A principal ideia é usá-los como aerossol, que será inalado, ou como um fármaco na forma de comprimido. As aplicações para o desenvolvimento de fármacos são as mais diversas”, projeta.

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