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Quanto vale uma saudade?

Confira a coluna de Lara Nogueira deste fim de semana.

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O que plantamos hoje é semente daquilo que colheremos no futuro. Todo mundo sabe disso. Mas poucos sabem que o colher não é sobre coisas, é sobre lembranças. Talvez lá na frente, se vivos estivermos, bem velhinhos, nos restarão uns quantos afazeres — se lúcidos e fisicamente úteis. Mas o que vai definir a nossa felicidade quando este tempo de descanso chegar será DO QUE sentiremos saudade. Da juventude inconsequente e desajeitada? Do trabalho realizado com vigor?

Dos namorados e namoradas que nos deixaram? Daqueles que ficaram? Dos lugares que passamos, dos filmes que assistimos e de que mais? Do café quente em dias frios? Dos troféus, das viagens, das músicas. O que faz a gente ser gente, por aqui? Estamos tão apegados em fazer mais e mais dinheiro, ficar mais e mais belos e mais e mais inteligentes. Nos apegamos a colecionar momentos e muitas vezes forçamos momentos para termos em que nos apegar. Fotografias, vídeos, microfones.

A corrida contra o tempo mais sinistra de todas. Mas onde verdadeiramente está o nosso coração? Quando pensamos no que estamos plantando devemos pensar que isso irá nos custar. Vai custar caro chegar la na frente e selecionar na memória tudo o que fizemos em verdade. Criamos filhos? Fizemos amigos? Ajudamos alguém? E se eu disser que a culpa e o ressentimento nascem da inércia, daquilo que NÃO fizemos, você vai entender o que é amar? O que estamos fazendo dos nossos dias? Quanto vale uma saudade?

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